Olho coçando na primavera: como saber se é conjuntivite alérgica ou infecciosa?

24.09.2026
Close up of man has a problem with contact lenses, rubbing his swollen eyes due to pollen, dust allergy. Dry eye syndrome, watery, itching. Isolated on grey background, front view.

A cena se repete todo ano. A primavera chega, os olhos começam a coçar, ficam vermelhos e lacrimejam. Logo aparece a dúvida em casa, na escola ou no trabalho: é alergia ou é aquela conjuntivite que passa para todo mundo?

A diferença importa. Ela muda o cuidado com os olhos, o risco de contágio e até a decisão de manter ou não a criança longe da escola.

Por que os olhos coçam mais na primavera?

A primavera é a estação do pólen, um dos principais gatilhos da conjuntivite alérgica. Uma revisão publicada na Revista Brasileira de Oftalmologia aponta que a forma sazonal da doença ocorre de agosto a dezembro e está ligada sobretudo ao pólen de gramíneas. O mesmo trabalho estima que as alergias oculares atingem cerca de 20% da população, algo próximo de uma em cada cinco pessoas, e descreve a condição como subdiagnosticada e cercada de automedicação.

Como diferenciar a conjuntivite alérgica da infecciosa?

A coceira é a principal pista da alergia. Ela costuma vir acompanhada de lacrimejamento e ardor, e é esse conjunto que mais chama atenção no quadro alérgico.

Já nas conjuntivites causadas por vírus ou bactérias, o que chama atenção costuma ser o tipo de secreção. Os sinais abaixo ajudam a diferenciar os quadros:

Alérgica Viral Bacteriana
Sintoma mais marcante Coceira intensa Ardor e vermelhidão Olho vermelho e dolorido
Secreção Lacrimejamento Aquosa Espessa, amarelada ou esverdeada, com pus
Passa para outras pessoas? Não Sim Sim

Na alergia, as pálpebras costumam inchar e os dois olhos são afetados ao mesmo tempo. Os sinais, porém, se misturam com frequência, e é comum confundir alergia ocular com conjuntivite infecciosa. Por isso, a tabela ajuda a orientar, mas não substitui o exame feito pelo oftalmologista.

A conjuntivite alérgica passa para outras pessoas?

Não. A conjuntivite alérgica é uma reação do próprio organismo ao pólen, à poeira ou a pelos de animais, e não é transmitida de uma pessoa para outra. Quem tem o quadro alérgico pode continuar indo à escola, ao trabalho ou à academia normalmente.

A viral e a bacteriana, ao contrário, são contagiosas, sendo a viral a forma mais frequente. A transmissão acontece pelas mãos, pelo contato com a secreção e por objetos como toalhas, maquiagem, lenços e fronhas.

O período de contágio dura enquanto os olhos estiverem vermelhos e com secreção. Nessa fase, o recomendado é ficar em casa e evitar contato próximo com outras pessoas. Em geral, o quadro melhora em uma a duas semanas.

O que ajuda a aliviar a coceira da alergia nos olhos?

O primeiro passo é reduzir o contato com o que provoca a alergia e evitar coçar os olhos. As medidas de primeira linha, sem remédio, incluem diminuir a poeira doméstica, fungos e pólen em casa, usar compressas frias, lágrima artificial sem conservante e óculos de sol ao ar livre.

Lavar as mãos após contato com animais e lavar os olhos com água fria também ajudam. Coçar pode parecer um alívio imediato, mas a coceira contínua pode causar pequenas lesões na superfície do olho.

Também vale observar o restante do corpo. De acordo com a ASBAI, entre 40% e 60% dos casos de conjuntivite alérgica aparecem junto com outras doenças alérgicas, como asma, rinite e dermatite atópica.

Por que não usar colírio por conta própria?

Colírio é remédio, e alguns deles podem prejudicar a visão quando usados sem acompanhamento. É o caso dos colírios com corticoide. A automedicação com esse tipo de colírio é frequente.

O uso prolongado de corticoide nos olhos, segundo a Revista Brasileira de Oftalmologia, pode aumentar a pressão intraocular e levar ao glaucoma, favorecer a catarata e deixar o olho mais vulnerável a infecções, entre elas a ceratite herpética. Por isso, esse tipo de colírio exige sempre acompanhamento médico.

O risco também existe nas conjuntivites infecciosas. A viral não tem tratamento específico e costuma passar sozinha, enquanto a bacteriana pode exigir colírio antibiótico prescrito pelo médico.

Quais sinais pedem avaliação com oftalmologista?

Alguns sintomas indicam que o quadro pode ser mais sério do que uma alergia sazonal. É recomendado procurar o oftalmologista imediatamente em caso de:

  • Dor moderada a intensa nos olhos;
  • Visão borrada;
  • Sensibilidade à luz maior que o normal;
  • Vermelhidão intensa;
  • Sintomas que pioram em vez de melhorar;
  • Condições de saúde que enfraquecem a imunidade.

Sintomas que duram mais de duas semanas, ou que persistem mesmo com o tratamento, também merecem avaliação. Afinal, cada caso precisa ser examinado por um profissional para que o tratamento siga a causa certa.

A dúvida entre alergia e conjuntivite infecciosa pode ser resolvida no Instituto da Visão de Cascavel.

Agende sua consulta.

 

Leia também

Child in ophthalmology clinic - optometrist diagnosis little blonde girl, close up

Aquela mancha branca na foto do seu filho pode ser um sinal de alerta

Five years old boy with one eye covered by eye pad and with eye glasses.

O que acontece na visão de uma criança quando o estrabismo não é tratado a tempo?

Blurred images of people in the train station

Catarata: o que você realmente precisa entender antes da cirurgia.

Close-up Of A Blind Man Standing With White Stick On Street.

Você sabia que a maior parte dos casos de deficiência visual poderia ter sido evitada?