A cena se repete todo ano. A primavera chega, os olhos começam a coçar, ficam vermelhos e lacrimejam. Logo aparece a dúvida em casa, na escola ou no trabalho: é alergia ou é aquela conjuntivite que passa para todo mundo?
A diferença importa. Ela muda o cuidado com os olhos, o risco de contágio e até a decisão de manter ou não a criança longe da escola.
Por que os olhos coçam mais na primavera?
A primavera é a estação do pólen, um dos principais gatilhos da conjuntivite alérgica. Uma revisão publicada na Revista Brasileira de Oftalmologia aponta que a forma sazonal da doença ocorre de agosto a dezembro e está ligada sobretudo ao pólen de gramíneas. O mesmo trabalho estima que as alergias oculares atingem cerca de 20% da população, algo próximo de uma em cada cinco pessoas, e descreve a condição como subdiagnosticada e cercada de automedicação.
Como diferenciar a conjuntivite alérgica da infecciosa?
A coceira é a principal pista da alergia. Ela costuma vir acompanhada de lacrimejamento e ardor, e é esse conjunto que mais chama atenção no quadro alérgico.
Já nas conjuntivites causadas por vírus ou bactérias, o que chama atenção costuma ser o tipo de secreção. Os sinais abaixo ajudam a diferenciar os quadros:
| Alérgica | Viral | Bacteriana | |
| Sintoma mais marcante | Coceira intensa | Ardor e vermelhidão | Olho vermelho e dolorido |
| Secreção | Lacrimejamento | Aquosa | Espessa, amarelada ou esverdeada, com pus |
| Passa para outras pessoas? | Não | Sim | Sim |
Na alergia, as pálpebras costumam inchar e os dois olhos são afetados ao mesmo tempo. Os sinais, porém, se misturam com frequência, e é comum confundir alergia ocular com conjuntivite infecciosa. Por isso, a tabela ajuda a orientar, mas não substitui o exame feito pelo oftalmologista.
A conjuntivite alérgica passa para outras pessoas?
Não. A conjuntivite alérgica é uma reação do próprio organismo ao pólen, à poeira ou a pelos de animais, e não é transmitida de uma pessoa para outra. Quem tem o quadro alérgico pode continuar indo à escola, ao trabalho ou à academia normalmente.
A viral e a bacteriana, ao contrário, são contagiosas, sendo a viral a forma mais frequente. A transmissão acontece pelas mãos, pelo contato com a secreção e por objetos como toalhas, maquiagem, lenços e fronhas.
O período de contágio dura enquanto os olhos estiverem vermelhos e com secreção. Nessa fase, o recomendado é ficar em casa e evitar contato próximo com outras pessoas. Em geral, o quadro melhora em uma a duas semanas.
O que ajuda a aliviar a coceira da alergia nos olhos?
O primeiro passo é reduzir o contato com o que provoca a alergia e evitar coçar os olhos. As medidas de primeira linha, sem remédio, incluem diminuir a poeira doméstica, fungos e pólen em casa, usar compressas frias, lágrima artificial sem conservante e óculos de sol ao ar livre.
Lavar as mãos após contato com animais e lavar os olhos com água fria também ajudam. Coçar pode parecer um alívio imediato, mas a coceira contínua pode causar pequenas lesões na superfície do olho.
Também vale observar o restante do corpo. De acordo com a ASBAI, entre 40% e 60% dos casos de conjuntivite alérgica aparecem junto com outras doenças alérgicas, como asma, rinite e dermatite atópica.
Por que não usar colírio por conta própria?
Colírio é remédio, e alguns deles podem prejudicar a visão quando usados sem acompanhamento. É o caso dos colírios com corticoide. A automedicação com esse tipo de colírio é frequente.
O uso prolongado de corticoide nos olhos, segundo a Revista Brasileira de Oftalmologia, pode aumentar a pressão intraocular e levar ao glaucoma, favorecer a catarata e deixar o olho mais vulnerável a infecções, entre elas a ceratite herpética. Por isso, esse tipo de colírio exige sempre acompanhamento médico.
O risco também existe nas conjuntivites infecciosas. A viral não tem tratamento específico e costuma passar sozinha, enquanto a bacteriana pode exigir colírio antibiótico prescrito pelo médico.
Quais sinais pedem avaliação com oftalmologista?
Alguns sintomas indicam que o quadro pode ser mais sério do que uma alergia sazonal. É recomendado procurar o oftalmologista imediatamente em caso de:
- Dor moderada a intensa nos olhos;
- Visão borrada;
- Sensibilidade à luz maior que o normal;
- Vermelhidão intensa;
- Sintomas que pioram em vez de melhorar;
- Condições de saúde que enfraquecem a imunidade.
Sintomas que duram mais de duas semanas, ou que persistem mesmo com o tratamento, também merecem avaliação. Afinal, cada caso precisa ser examinado por um profissional para que o tratamento siga a causa certa.
A dúvida entre alergia e conjuntivite infecciosa pode ser resolvida no Instituto da Visão de Cascavel.
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