Passar o dia inteiro olhando para um computador, tablet ou celular deixa os olhos cansados, ardidos e, às vezes, embaçados no fim do expediente. Essa sensação tem nome na oftalmologia e explicação fisiológica, e é mais comum do que parece entre quem trabalha com telas.
O que é a fadiga visual digital?
A fadiga visual digital, também chamada de astenopia, é o conjunto de sintomas que aparece depois de horas de uso contínuo de telas. Os mais relatados são olhos secos, ardência, visão embaçada temporária, dor de cabeça e desconforto no pescoço e nos ombros.
Isso acontece porque o olho humano foi feito para alternar entre foco de perto e de longe, e não para manter a mesma distância fixa por horas seguidas. Trabalhar assim sobrecarrega os músculos responsáveis pelo foco e reduz a frequência com que piscamos.
Por que o uso prolongado de telas resseca os olhos?
Piscar menos é o que mais resseca os olhos de quem passa o dia em frente a uma tela. Cada piscada renova o filme lacrimal que protege a córnea, e quando essa frequência cai, a lágrima evapora mais rápido do que é reposta.
Estudos internacionais mostram que a frequência média de piscar, de 15 a 20 vezes por minuto em condições normais, cai para cerca de 4 a 6 vezes por minuto durante o uso do computador. Essa queda reduz a renovação do filme lacrimal e deixa a superfície do olho mais exposta ao ressecamento.
Como a fadiga visual aparece no dia a dia de quem trabalha com telas?
A relação entre esforço visual no trabalho e desconforto ocular também foi medida no Brasil. Um estudo da Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, conduzido por pesquisadores da USP e da UNIFESP com 303 trabalhadores administrativos de um hospital público em São Paulo, usou um questionário validado internacionalmente para medir a função visual dessa equipe.
A dor ocular foi o critério com a pior pontuação entre todos os avaliados. Os pesquisadores também constataram que a função visual piora conforme aumenta o esforço visual exigido pelo trabalho, além de piorar com a idade.
O que ajuda a aliviar o cansaço visual durante o trabalho?
Fazer pausas regulares é a orientação mais consistente entre entidades internacionais de oftalmologia e optometria para reduzir a fadiga visual digital. A recomendação mais conhecida é a regra do 20-20-20: a cada 20 minutos de uso de tela, olhar para um ponto a pelo menos 6 metros de distância por 20 segundos.
A campanha do Ministério da Saúde reforça outros hábitos simples para quem trabalha com telas: limitar a exposição prolongada, ajustar a iluminação do ambiente, dormir pelo menos 8 horas por noite, manter uma alimentação equilibrada e nunca usar colírio sem orientação médica, mesmo quando o incômodo parece leve.
Quando a fadiga visual deve ser avaliada por um oftalmologista?
Pausas e hábitos ajudam, mas não substituem a avaliação profissional quando o desconforto persiste. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Oftalmologia, com voluntários que usavam computador por mais de 4 horas diárias, mostrou que corrigir adequadamente o grau visual reduziu de forma significativa o escore de astenopia dos participantes.
Isso mostra que parte da fadiga visual atribuída só ao uso de telas, na verdade, está ligada a um grau não corrigido ou corrigido de forma inadequada, algo que só um exame oftalmológico completo identifica.
A fadiga visual digital no ambiente de trabalho pode ser avaliada e tratada no Instituto da Visão de Cascavel.
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