Uma foto tirada com flash, um reflexo estranho no olho da criança, e um susto que a maioria dos pais não sabe como interpretar. Na maior parte das vezes não é nada grave, mas em alguns casos, esse reflexo branco é o primeiro sinal visível de um câncer que se desenvolve dentro do olho: o retinoblastoma.
O retinoblastoma é raro, mas é justamente por isso que passa despercebido com mais facilidade. Reconhecer os sinais cedo, e saber quando procurar um oftalmologista, é o que separa um tratamento simples de um processo muito mais difícil.
O que é o retinoblastoma?
O retinoblastoma é um tumor que se forma na retina, a camada do fundo do olho responsável por captar a luz e enviar a imagem para o cérebro. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é o tumor intraocular mais frequente da infância, respondendo por cerca de 2,5% a 4% de todas as neoplasias pediátricas e por aproximadamente 14% dos cânceres em crianças menores de 2 anos.
A doença costuma se manifestar por volta dos 2 anos de idade, e cerca de 95% dos casos são diagnosticados até os 5 anos, segundo o INCA. Quando afeta os dois olhos, o que é menos comum, os sinais tendem a aparecer ainda mais cedo, muitas vezes antes de 1 ano.
O Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, estima a ocorrência em 14 a 20 casos a cada 14 mil a 20 mil nascidos vivos. Já o Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que o Brasil registra entre 200 e 250 novos casos por ano, e o mundo, entre 7.500 e 8.000. São três formas diferentes de medir a mesma doença, e nenhuma invalida a outra: juntas, mostram que o retinoblastoma é raro, mas não tão raro a ponto de um pediatra ou um pai nunca precisar pensar nele.
Quais sinais merecem atenção dos pais?
O sinal mais comum é a leucocoria: o reflexo que deveria ser vermelho ou avermelhado, como costuma aparecer em fotos com flash, surge branco ou esbranquiçado, o chamado “olho de gato”. É esse reflexo branco o principal sinal destacado em campanhas de alerta às famílias.
O segundo sinal mais citado é o estrabismo, quando os olhos da criança não parecem olhar na mesma direção. Isoladamente, estrabismo tem muitas causas possíveis e a grande maioria não tem relação com câncer. Mas, combinado a um reflexo esbranquiçado ou a uma mudança perceptível no olho, é motivo para buscar avaliação.
Em estágios mais avançados, podem aparecer também redução da visão, aumento do volume do olho e projeção do olho para frente. Nenhum desses sinais isolados confirma o diagnóstico. O papel dos pais não é diagnosticar, é notar a mudança e procurar um oftalmologista.
O teste do olhinho garante que o retinoblastoma será detectado?
O teste do olhinho, também chamado teste do reflexo vermelho, é feito pelo pediatra logo após o nascimento e é um exame de rastreamento, não um diagnóstico. O exame deve ser realizado até 72 horas depois do parto e repetido pelo menos três vezes ao ano até os três anos de idade nas consultas de puericultura.
O teste identifica alterações no reflexo que exigem avaliação especializada, e serve para rastrear diversas condições além do retinoblastoma, como catarata e glaucoma congênitos. Um resultado alterado não é uma sentença, é um encaminhamento. E se os pais notarem um sinal de alerta entre uma consulta e outra, não é preciso esperar a próxima rodada do teste: vale procurar avaliação oftalmológica diretamente.
Por que o diagnóstico precoce muda o tratamento?
Quanto mais cedo o retinoblastoma é identificado, maior a chance de o tumor ainda estar restrito ao olho, com mais alternativas de tratamento e mais chance de preservar a visão. O CFM cita que, no centro de referência GRAACC, de 12% a 15% dos casos chegam em estágio extraocular, mais avançado e mais difícil de tratar.
Essa diferença de estágio tem nome técnico: retinoblastoma intraocular, quando restrito ao globo ocular, e extraocular, quando já se espalhou para além dele. Segundo o INCA, essa classificação define o prognóstico e as opções de tratamento disponíveis.
Quando o diagnóstico acontece cedo e o tratamento é feito em centro de referência, o INCA, citando a Organização Pan-Americana da Saúde, e o CFM convergem na mesma cifra: até 90% de remissão ou cura. É esse número que sustenta toda a lógica por trás de campanhas de conscientização como a que motiva este texto.
Aquela mancha branca na foto pode ser só um reflexo de luz, mas diante de qualquer dúvida sobre o olhar de uma criança, adiar a avaliação nunca é a escolha mais segura.
O acompanhamento oftalmológico do seu filho e a detecção precoce do retinoblastoma podem ser resolvidos no Instituto da Visão de Cascavel.
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