Junho Violeta: Ceratocone, a Doença Silenciosa que Pode Levar à Cegueira

13.06.2025
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Junho Violeta é muito mais do que uma campanha de conscientização. É um chamado à atenção para uma das condições oculares mais subdiagnosticadas e impactantes entre jovens brasileiros: o ceratocone.

Caracterizada pelo afinamento e deformação progressiva da córnea, essa ectasia pode comprometer severamente a acuidade visual e, em estágios avançados, exigir transplante corneano. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 150 mil novos casos são diagnosticados no Brasil a cada ano afetando principalmente adolescentes e adultos jovens entre 10 e 25 anos.

Essa faixa etária é um alerta em si: estamos diante de uma condição que compromete a qualidade de vida, a performance escolar e profissional justamente no momento de maior desenvolvimento pessoal e social do indivíduo.

A Gravidade por Trás dos Números

Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) apontam o ceratocone como uma das principais causas dos mais de 13 mil transplantes de córnea realizados anualmente no país. Em 2023, esse número ultrapassou 16 mil, e só no primeiro semestre de 2024, mais de 8 mil procedimentos já foram realizados.

Esse cenário acende um alerta: estamos tratando tarde demais.

Diagnóstico Precoce: A Nossa Maior Ferramenta

O ceratocone evolui de forma silenciosa. Um dos primeiros sinais clínicos costuma ser a mudança frequente no grau dos óculos, especialmente com aumento progressivo do astigmatismo. Porém, o diagnóstico só se consolida com exames específicos, como a topografia e a tomografia de córnea, que avaliam curvatura e espessura corneanas.

Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de preservar a visão e a qualidade de vida do paciente.

Causas e Fatores de Risco: Educação é Prevenção

Embora a etiologia do ceratocone ainda seja multifatorial e parcialmente desconhecida, há consenso na literatura sobre a interação entre predisposição genética e fatores ambientais e comportamentais.

Um dos principais agravantes é coçar os olhos com frequência comportamento comum em pacientes alérgicos, especialmente em ambientes urbanos. O simples ato de esfregar os olhos pode desencadear ou acelerar a progressão da doença.

Tratamentos: De Lentes ao Transplante

A abordagem terapêutica depende do grau de progressão:

  • Estágios iniciais: correção com óculos ou lentes de contato especiais (RGP ou esclerais).

  • Casos moderados: procedimentos como o crosslinking corneano, que fortalece a estrutura da córnea, ou o implante de anéis intracorneanos, que regularizam sua curvatura.

  • Estágios avançados: indicação de transplante de córnea, quando há comprometimento funcional irreversível.

O ceratocone não é apenas um tema clínico. É também uma questão de saúde pública, de gestão oftalmológica e de políticas de prevenção. Profissionais, clínicas e operadoras de saúde precisam integrar o tema em seus programas de triagem, educação em saúde e inovação tecnológica.

A conscientização também abre espaço para novas tecnologias diagnósticas, expansão de serviços especializados e ações de educação continuada para profissionais da atenção primária muitas vezes os primeiros a receberem esses pacientes.

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